Histórico

A Paróquia Santo André, foi desmembrada da Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição, fundada em 20 de junho de 1971, tem como padroeiro o Apóstolo André, santo que a Igreja celebra sua memória no dia 30 de novembro, data de seu martírio. No dia 30 de novembro de 2014, Dom Redovino Rizzardo elevou à qualidade de paróquia, nomeando o primeiro pároco, o Padre Otair Nicoletti. A equipe de Coordenação do Conselho Comunitário de Pastoral - CCP está formada pelas seguintes pessoas: Coordenação: Laudelino Vieira, Paulo Crippa; Assuntos Econômicos: José Zanetti, Valter Claudino; Secretaria: Marcus Henrique e Naiara Andrade.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

JUVENTUDE: JUVENTUDE E MISSIONARIEDADE: O QUE FAZER E COMO?


Juventude e Missionariedade: o que fazer e como?
Bases para uma Teologia da Missão dos jovens.

Gilvander Luís Moreira[1]

“Deixa-me ser jovem, não me impeça de lutar, pois a vida me convida uma missão realizar...”

1. Para início de reflexão.
 A Campanha da Fraternidade de 2013 será sobre Juventude. Que beleza! Mais do que necessária. Oxalá a juventude da igreja católica e de outras igrejas, as comunidades cristãs da Igreja Católica e de outras igrejas e pessoas de boa vontade dêem as mãos e unam os corações para que a Opção Preferencial pelos Pobres e pelos Jovens se torne uma realidade palpável entre nós, na atualidade, no Brasil.
Pediram-me um texto sobre Juventude e Missionariedade, palavra difícil para dizer “missão dos jovens”. Primeiro, digo que descobri minha vocação e missão de ser frei e padre carmelita em um Grupo de Jovem, em Arinos, Noroeste de Minas Gerais. Isso na década de 70 do século XX. Participei, animei e ajudei na coordenação ou assessoria de vários grupos de jovens em Arinos, MG, em Taguatinga/DF, na Vila Parolim, em Curitiba, PR, nas Favelas do Parque Novo Mundo, em São Paulo, SP. E, em 18 anos de padre e 27 de frei, na assessoria da Comissão Pastoral da Terra, do MST[2] e de Comunidades Eclesiais de Base, tenho tido a alegria de ser militante de várias causas dos pobres ao lado de muitos jovens militantes do Reino de Deus, um reino que passa por Justiça Social e Justiça ambiental. São jovens que, como Che Guevara e/ou Jesus de Nazaré, sempre se comovem com a dor dos empobrecidos, se fazem solidários e ficam possuídos por uma ira santa diante de toda e qualquer injustiça acontecida contra qualquer pessoa (ou ser vivo) e em qualquer parte do mundo. Logo, acredito na Juventude que se levanta para lutar por vida e liberdade para todos e para tudo. Aliás, está se fortalecendo no Brasil o Levante Popular da Juventude[3], um Movimento muito idôneo e do qual vale a pena participar.
Para refletirmos sobre a Missão dos Jovens (= Missionariedade) é preciso consideramos a Missão – ou as missões – dos Jovens com relação a várias dimensões que envolvem nossa vida. Jovem não deve desenvolver sua missão só dentro das igrejas. É preciso ser luz, sal e fermento na sociedade e em todos os ambientes. Devemos perguntar: Qual a missão dos jovens diante da Espiritualidade? E da afetividade e da sexualidade? E das questões ambientais? E diante da violência que assola a sociedade, fere e mata milhares de jovens? E na Pastoral nas Igrejas e a partir das igrejas? E com relação à Comunicação? Enfim, qual a missão dos jovens a partir da Bíblia? Mas, antes, quais a/s identidade/s do/s jovem/ns, hoje?

2. Jovem, um dinamismo de vida.
O jovem, por natureza, é inquieto, busca, questiona, não aceita verdades prontas, quer participar. Muitos sentem que fazem parte ou querem participar. Quantos jovens são cantores, trovadores, poetas, artesãos, artistas que resistem valorizando a cultura popular e as raízes culturais mais profundas.
A Juventude é - em parte e pode ser cada vez mais - expressão de três belíssimas metáforas do Evangelho do jovem Galileu: luz, fermento e sal. Luz para iluminar caminhos e aquecer corações no meio de tanta escuridão eclesiástica/eclesial, social, política, econômica, existencial e ecológica. Fermento para fermentar muita massa sem fisionomia, amorfa e como folha ao vento. Sal para salgar a realidade eclesiástica, eclesial e social que, infelizmente, padece de muita podridão.

3. Olhando para a história.
Para sugerirmos algumas missões e tarefas dos jovens, hoje, faz bem olharmos um pouco para a história da nossa América Afrolatíndia.  Segundo Eduardo Galeano, autor do livro As veias abertas da América Latina – de leitura indispensável - e de muitos outros livros necessários para uma boa compreensão da nossa história, “a América Latina é uma peça fundamental para o enriquecimento das nações dominadoras, restando como conseqüência dessa lógica de exploração imperialista o subdesenvolvimento crônico do nosso continente e as intermináveis crises sociais que vivemos por nunca conseguirmos nos desvencilhar do status de colônia. A riqueza das potências é a pobreza da América Latina.”[4]
Como tem sido a participação da juventude brasileira historicamente? Assim como Zumbi dos Palmares e Dandara, sua companheira, muitos jovens negros fugiram das senzalas e construíram resistência nos quilombos. Lutaram e lutam hoje contra muitos tipos de escravidões. Muitos jovens camponeses participaram ativamente das Ligas Camponesas, sob a liderança de Francisco Julião, um jovem advogado sonhador e aguerrido na luta, para quem a Reforma Agrária seria realizada na lei ou na marra. Muitos jovens participaram da Revolução Estudantil em 1968, anos de chumbo.
Na época da ditadura militar, civil e empresarial (de 1964 a 1985), milhares de jovens foram presos, torturados, exilados e muitos outros desaparecidos. Para conhecer melhor o contexto da época dos anos de chumbo, sugiro a leitura do livro Brasil Nunca Mais e, caso você não os conheça, assistir aos seguintes filmes, dentre outros no mesmo tema: 1)Batismo de sangue, 2) Pra frente Brasil, 3) Cabra Cega, 4) Ação entre Amigos, 5) Zuzu Angel, 6) Hércules 56, 7) Dois Córregos, 8) Nunca fomos tão felizes, 9) O Ano em que meus pais saíram de férias, 10) O que é Isso Companheiro?e 11) Araguaia. São filmes que registraram páginas sangrentas dos anos de chumbo no Brasil, nos fazem entender bem o passado, vivenciar nosso presente e planejar nosso futuro.
Resistência cultural também foi realizada por muitos jovens, tais como, Geraldo Vandré (“Quem sabe faz a hora não espera acontecer...”, Chico Buarque (“Pai, afasta de mim este cale-se...”) etc. O movimento da juventude gerou grandes políticos comprometidos com a libertação dos pobres. Isso sem falar dos carapintadas que contribuíram muito para o Impeachment do presidente Fernando Collor.

3.1 - Década de 60 do século XX até 1989.
A queda do Muro de Berlin, em 09 de novembro de 1989, marcou simbolicamente a derrocada do socialismo real. Desde a década de 60 até a queda do Muro de Berlin vivíamos sob o signo da Utopia da Grande Revolução. Acreditava-se ser possível superar o capitalismo – e o Capital - e construir o socialismo, uma Sociedade para além do Capital. Pensava-se que poderíamos tomar o Poder a partir do Estado e implantar de cima para baixo a justiça social fazendo revoluções – mais do que reformas - agrária, urbana, educacional e política. As revoluções cubana (1959) e nicaragüense (1979) eram exemplos a serem seguidos e fonte de inspiração para se travar a luta contra a injustiça social. Com o assassinato de Presidente Alliende, eleito democraticamente no Chile, em 11 de setembro de 1973, ofuscou-se a estrela do socialismo que estava irrompendo na América Afrolatíndia. Uma série de golpes militares, arquitetados pelo império estadunidense com forte apoio das elites nacionais aconteceram na América Afrolatíndia: Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile, Brasil etc. Na Argentina, cerca de 30 mil jovens foram assassinados. No Brasil, estima-se que foram cerca de 17 mil.
Com a queda do socialismo real, no pós 1989, as sociedades mergulharam na crise das grandes utopias. Inaugurou-se uma época de fortalecimento do capitalismo neoliberal, melhor dizendo, neocolonial. Veio a onda neoliberal e, como um tsunami, levou de roldão centenas de empresas públicas/estatais. No Brasil, só nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB + DEM), mais de 170 empresas estatais foram privatizadas “a preço de banana”. Um imenso patrimônio do povo foi seqüestrado nas mãos de poucas empresas transnacionais. A Vale do Rio Doce, que valia mais de 100 bilhões de reais, foi entregue apenas por 3,2 bilhões de reais. Há mais de cem ações judiciais questionando a privatização da Vale, mas estão todas engavetadas no Poder Judiciário, poder que, infelizmente, defende mais a propriedade do que a dignidade humana.  Companhias de água, energia, telefonia, siderurgia e etc. passaram a ser regidas exclusivamente pelo mercado onde a ganância por lucro máximo não tem fim. Além de priorizar o lucro, essas empresas são responsáveis por danos sociais e ambientais em vista dos empreendimentos de alto impacto que patrocinam irresponsavelmente.
Com o eclipse da Utopia da Grande Revolução, uma grande frustração se abateu sobre a esquerda mundial com a derrocada do socialismo real. Muitos diziam que se tornou impossível superar o capitalismo. Um arauto do neoliberalismo, Fukuyama, chegou a anunciar o “fim da história” ao sugerir que agora não seria mais possível implantar nenhum projeto alternativo ao capitalismo. Se fosse assim, restaria apenas a resignação diante do atual sistema que é, na prática, uma máquina de moer vidas. Os capitalistas cantaram vitória. Mas a história não acabou. O monstro que é o capitalismo ruge como um leão, mas tem os pés de barro.
Nesse contexto, o foco passa a ser a construção de micro-revoluções. Trata-se de construirmos um Outro Mundo Possível e necessário, mas debaixo para cima e de dentro para fora, a partir dos pobres, tecendo uma rede de movimentos sociais populares em todos os cantos e recantos, em todas as vilas, favelas, bairros, no asfalto e nos morros, no campo e na cidade. Esse movimento está em curso, liderado em grande parte pelo Movimento de Juventude presentes nos vários Movimentos Populares: MST, MAB[5], Via Campesina, Movimento Indígena, Movimento Negro, Movimento LGBT, Movimento dos Sem Teto, Movimento de Mulheres etc. A juventude presente nas Pastorais Sociais[6]também participa ativamente da construção de micro-revoluções.

3.2 - Rápida retrospectiva religiosa.
Para entender a/s missão/ões do/s jovem/ns, hoje, temos também que fazer uma rápida retrospectiva religiosa. De 1962 a 1965 aconteceu o Concílio Vaticano II, que abriu a Igreja Católica para os bons ventos do mundo. Muitos dizem que João XXIII, o papa que convocou e abriu o Concílio, na abertura do Concílio teria aberto as janelas do Vaticano e dito: “Que os bons ventos do mundo inundem a Igreja e  oxigene-a internamente.” No Vaticano II a Igreja se reconheceu como Povo de Deus, abriu-se para o ecumenismo e para a inculturação. Os leigos foram valorizados e diálogos com o mundo moderno iniciaram-se. Vários movimentos eclesiais tornaram possível a realização do Concílio e foram fortalecidos pelos Documentos do Vaticano II: Movimento litúrgico, movimento bíblico, movimento leigo, Movimento ecumênico, entre outros.
Quatro conferências dos bispos da América Afrolatíndia contribuíram muito para que os bons ventos do Vaticano II fossem assimilados entre nós. Na Conferência episcopal de Medelin, na Colômbia, em 1968, a Opção pelos Pobres e pelos Jovens foi consagrada. Em Puebla, no México, em 1979, a Opção pelos Pobres e pelos Jovens foi confirmada. Em Santo Domingos, na República Dominicana, em 1992 - quando clamávamos por Outros 500 anos sem opressão, sem colonização, sem imposição cultural e religiosa – a inculturação e o protagonismo das/os leigas/os foi referendado. Em Aparecida, no Brasil, em 2007, na 5ª Conferência episcopal latino-americana, os pontos fortes de Medelin, Puebla e Santo Domingos foram resgatados e o reconhecimento das Comunidades Eclesiais de Base foi atestado mais uma vez.
Movida e inspirada pela Teologia Política da Europa, a Ação Católica chegou ao Brasil no clima espiritual e profético do Vaticano II. A Ação Católica contava com cinco organizações destinadas aos jovens: JAC[7], JEC[8], JIC[9], JOC[10], JUC[11]. A JUC ajudou muito na criação da Ação Popular que lutava por Reformas de Base como a reforma agrária.
A Ação Católica contribuiu muito na construção do que é hoje a Pastoral da Juventude. Ajudou muito no nascimento e crescimento das CEBs. O papa Paulo VI continuou o Vaticano II e como pontífice colocou em prática as inspirações e os documentos conciliares. Paulo VI disse: “A melhor forma de amar o próximo é fazer política, pois esta ataca os problemas pela raiz.” Assim, Paulo VI ajudou muito as comunidades cristãs a experimentar a íntima relação que há entre fé e política, entre Evangelho e questões sócio-ambientais.

4. E os jovens na Bíblia?
Para se compreender a Missão dos jovens, hoje, é preciso também contemplar a atuação de muitos jovens que pelo que fizeram e ensinaram se imortalizaram na Bíblia. Cito apenas onze.
1. No livro de Gênesis (Gn 37-50), o jovem José, vendido pelos irmãos, dá a volta por cima e se transforma em um libertador do seu povo e dos seus irmãos.
2. Samuel foi um jovem que soube ouvir a voz de Deus e entrou para a história como um dos iniciadores da profecia (Cf. Samuel 1 a 16).
3. O jovem Davi reuniu os desvalidos da sociedade e liderou uma grande resistência popular que o tornou rei de seu povo. Davi, inclusive, desafiou o “invencível” Golias e dominou. Entrou para a história como um dos três reis bons: Davi, Ezequias e Josias.
4. Amós, um jovem camponês vaqueiro, pequeno agricultor, se tornou o profeta da justiça social. Fervia o sangue de indignação contra a opressão dos latifundiários. Clamava por preços justos para os produtos do campo e por Reforma Agrária.
5. O profeta Jeremias, com apenas 18 anos, se tornou um grande profeta.
6. Bela órfã judia, a jovem Ester, por sua atuação, foi decisiva para livrar seu povo do aniquilamento.
7. O jovem Daniel, exilado na Babilônia com seu povo, tornou-se um dos maiores profetas de todos os tempos.
8. A jovem Maria de Nazaré, por amor, abraçou o projeto de Deus. Arriscou ser apedrejada. Tornou-se solidária e libertadora de seu povo. Acompanhou Jesus de ponta a ponta e depois da paixão e ressurreição de Jesus, eis Maria no meio das primeiras pessoas que fizeram a experiência da ressurreição de Jesus.
9. José, o pai de Jesus, colocado pela tradição como um idoso, deve ter sido enquanto jovem que, por amor, abraçou a “Menina de Nazaré” e, como homem justo, ao lado de Maria, foi imprescindível para que Jesus crescesse em estatura, sabedoria e graça, diante de Deus e das pessoas (Cf. Lc 2,52).
10. João Batista, ainda jovem, liderou um grande movimento popular-religioso que lutava contra as desigualdades sociais e econômicas. Foi preso e decapitado pelo governador Herodes Antipas, porque estava liderando uma insurreição popular, ameaçava o status quo.
11. Jesus de Nazaré fez história em plena juventude. Foi condenado à pena de morte aos 33 anos, diz a tradição. A entrada de Jesus em Jerusalém (Lc 19,28-40), o que se recorda no Domingo de Ramos, foi organizada e realizada pelos camponeses da Galileia. No meio deles, muitos jovens.
O de número doze é cada um/a um/a de nós que somos carinhosamente convidados por esses e essas jovens da Bíblia a assumir nossa missão e fazermos a diferença, combatendo o bom combate.

5. Missão e tarefas dos jovens, hoje.
Considerando as muitas dimensões da pessoa humana, pensamos que a Missão dos Jovens, hoje, deve envolver várias dimensões humanas e levando em conta o abordado anteriormente, entre muitas missões/tarefas que estão clamando para serem abraçadas pelos jovens, hoje, destacamos:
5.1 – Fazer Teologia da Juventude.
Teologia não é uma reflexão sobre Deus, mas uma reflexão sobre qualquer assunto a partir da fé no Deus solidário e libertador. Teologia não pode andar no cabresto do papa e nem dos bispos. Não pode ser apologética, isto é, justificadora da Instituição Igreja. A partir do ser jovem, da realidade que é e envolve a juventude precisamos pensar: o que o Deus da vida pede de nós diante de tantos desafios que estão no colo da juventude?
Jovens, vocês são templos de Deus, templos do Espírito Santo. No altar dos deuses do mercado, do capital, da droga, do sexismo e do consumismo estão sendo sacrificados milhares de jovens anualmente no Brasil. O Deus da vida chora por causa disso. Todo tanto que fizermos para interrompermos essa matança é pouco. É hora de desmascarar a Idolatria do mercado e do capital.
5.2 – Promover libertação integral.
Intuo que uma das tarefas missionários dos jovens é lutar pela libertação integral das pessoas e de tudo e não apenas por libertação espiritual. No programa de Jesus, em Lc 4,16-21, consta uma libertação política (“libertar os presos”), social e econômica (“anunciar uma boa notícia aos pobres”), libertação ideológica (“restituir a visão”, e espiritual (“proclamar o Ano de Graça do Senhor”). Assim, Jesus resgata o Jubileu Bíblico (Cf. Lev 25,8-12). No ano do Jubileu, toca-se o “berrante” (em hebraico “sofar”), que acontece no primeiro ano após sete vezes sete anos. Neste Jubileu, todas as dívidas devem ser perdoadas; todas as terras devem voltar ao primeiro dono (aos ancestrais); todos os escravos devem ser libertados. Enfim, é tempo de se fazer uma re-organização geral na sociedade; tempo para recriar a Vida e as relações humanas com fraternidade, solidariedade libertadora, reconciliação e novos sonhos.
5.3 – Acreditar na ortopráxis, sim; ortodoxia, não!
Outra missão dos jovens é defender uma ortopráxis (= testemunho libertador), não uma ortodoxia (= opinião certa). O que de fato faz diferença não é tanto o que a gente pensa ou em que acreditamos, mas o que fazemos (ou deixamos de fazer). É hora de compromisso com um outro projeto de sociedade, que seja justo, ecumênico e sustentável ecologicamente.
5.4 - Rever conceitos.
Verdade não é adequação de um conceito a um objeto. Isso é verdade formal. “Verdade é o que liberta todos e tudo”, diz o quarto evangelho da Bíblia. A verdade deve ser buscada conjuntamente. Ninguém é dono da verdade, mas verdade como o que liberta deve ser buscada a partir dos pobres (últimos, pequenos, discriminados): pobre, excluído, sem terra, indígenas, negros, pessoas com deficiências, idosos, desempregados, homossexuais, mãe terra, irmã água, favelados, vítimas da violência etc.
5.5 - Sentir-se igreja, membro vivo de uma comunidade de fé libertadora.
“Igreja é Povo de Deus”, nos ensina o Vaticano II. É hora de percebermos que o sacerdócio comum está acima do sacerdócio ordenado. Os jovens não podem aceitar uma relação que os coloquem como infantis e em uma postura de quem só deve obedecer. Nada disso. Os jovens têm o direito e o dever de dialogar, discutir e reivindicar o direito de decidir conjuntamente todos os assuntos que envolvem a vida da comunidade cristã e da sociedade.
É hora de perceber que a coisa sagrada é também profana. Profanar é retirar do uso exclusivo para dar acesso a todos. Pro-fanar vem do verbo grego faneo, que quer dizer “brilhar”. Ou seja, que o brilho do sagrado seja estendido a todos sem distinção e sem nenhuma discriminação. É hora de gritar “Não a todo e qualquer dualismo!” Não há separação entre espiritual e material, entre sagrado e profano, entre divino e humano, entre santo e pecador, entre puro e impuro etc. Tudo está intimamente relacionado.
Jesus não morreu na cruz porque Deus quis, mas foi condenado à pena de morte pelos podres poderes político-econômico e religioso.
Jesus doou sua vida por todos e tudo. Jesus nos salva porque nos amou demais e não porque sofreu demais.
Jesus não nasceu Cristo, mas tornou-se Cristo, pois conseguiu desenvolver o infinito potencial de humanidade que cada pessoa traz consigo ao chegar a este mundo. “Jesus foi tão humano, tão humano, que só podia ser Deus”, disse o papa Paulo VI.
Milagre não é algo fruto de um poder extraordinário que está acima do humano. Milagre é uma maravilha de Deus, conforme diz o Primeiro Testamento da Bíblia. Milagre é um gesto solidário e libertador de Deus agindo nas entranhas da história.
Deus não é juiz, pois Deus é amor. Ou melhor, o amor é Deus.
Deus não é transcendente, mas transdescendente. Na Bíblia, de ponta a ponta, vemos a imagem de um Deus apaixonado pelo humano.
Deus não é neutro diante dos conflitos. Deus faz opção preferencial pelos pobres (cf. Ex 3,7-10).
Não existe inferno, nem purgatório e nem limbo como locais destinados aos pecadores, como descrito de forma tradicionalista por muitos nas igrejas. Satanás (satã, em hebraico) ou diabo (diabolos, em grego) não são entes abstratos, um deus negativo que faz oposição ao Deus da vida. Satanás (diabo) é tudo o que divide, separa, desune, oprime, exclui, discrimina e depreda. Pode ser uma dimensão interior nossa, mas em uma sociedade capitalista neoliberal como a nossa, trata-se prioritariamente de estruturas e instituições que oprimem, excluem e depreda a natureza. Podemos dizer que o agronegócio é satânico, pois concentra riqueza em poucas mãos, expulsa os pequenos do campo e devasta a biodiversidade. Uma democracia burguesa formal que não respeita a Constituição Brasileira e pisa na dignidade das pessoas é uma falsa democracia, algo também satânico.
Ser cristão implica ser anticapitalista. Não dá para compactuar com os pretensos valores do capitalismo: concorrência, competição, acumulação, lucrar e lucrar. Ser cristão é ser outro Cristo, alguém que consola os aflitos, mas que também incomoda os acomodados. Tarefa da pessoa cristã é buscar vida e liberdade para todos e tudo – e não apenas para alguns - mas a partir dos últimos.
5.6 – Comprometer-se com a Opção pelos pobres e pelos jovens.
O apóstolo Paulo, ao escrever sobre o Concílio de Jerusalém, acontecido por volta dos anos 49/50 do 1º século diz que a circuncisão, a maior de todas as barreiras, tinha sido abolida e que a única coisa que os apóstolos fizeram questão de alertar foi: “Não esqueçam os pobres.” (Gal 2,10) Esse alerta deve ser acolhido pelos jovens também. Mas faz bem ter um bom entendimento sobre quem é pobre. Primeiro, o carente economicamente. Depois, a mulher, o indígena, o negro, o homossexual, a divorciada, a mãe terra, a irmã água, o meio ambiente.
A Teologia da Libertação não vê o pobre apenas como um poço de carência, como um coitado, mas, principalmente, como um portador de força ética e espiritual. Deus age a partir dos pequenos. A Teologia da Libertação acredita que “o mundo será melhor quando o menor que padece acreditar no menor”, conforme dizia Dom Hélder Câmara, o santo rebelde.

6. Enfim...
Contamos com os jovens, como protagonistas de sua história, para vivenciar a Opção preferencial pelos Pobres e pelos Jovens, buscar alternativas para a superação da atual crise sócio-política-econômica-cultural e religiosa. Apoiar firmemente a Economia Popular Solidária, as lutas pela Reforma Agrária, por agricultura familiar, por preservação ambiental, pela mudança do atual modelo econômico neoliberal. Queremos um modelo econômico que seja popular, democrático, soberano, inclusivo e sustentável ecologicamente. Queremos construir um outro modelo de igreja, onde, de fato, igreja seja povo de Deus, em comunidades que se relacionam em sistema de rede.

Apêndice ao texto, acima.
Sugestão: textos e eventos bíblicos libertadores que podem inspirar a Missão dos jovens:
1)      Gn 1: Toda a Criação é muito boa, imagem e semelhança de Deus.
2)      Ex 1,15-22: O Movimento das parteiras faz Desobediência civil e religiosa. Cf. Gandhi, Martin Luther King, as camponesas da Via Campesina.
3)      Ex 3,7-10: Deus opta pelos pobres.
4)      Davi vence Golias.
5)      Is 65,17-25: Eis um novo céu e uma nova Terra.
6)      Dn 2,31-37: Uma pedrinha destrói um gigante de pés de barro – a força da profecia.
7)      Jo 6,1-15: Solução radical para a fome de pão – partilha de pães.
8)      Mt 21,12-13: Jesus expulsa os capitalistas do Templo.
9)      Jovens camponeses, João Batista e Jesus se tornam líderes de libertação.
10)  Ap 12,1-17: Uma mulher grávida, em dores de parto, vence um Dragão.
11)  At 21,1-7: Deus deixa o céu e arma sua tenda no meio dos pobres.

Belo Horizonte, MG, Brasil, 16 de julho de 2012, dia de N. Sra. do Carmo.




[1] Frei e padre carmelita; mestre em Exegese Bíblica; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina, em Minas Gerais; e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br – www.gilvander.org.br – www.twitter.com/gilvanderluis - facebook: gilvander.moreira

[2] Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – www.mst.org.br
[4] Cf. o artigo “América Latina e as ditaduras militares: fatores históricos” em

[5] Movimento dos Atingidos por Barragens – www.mabnacional.org.br .
[6] CPT – Comissão Pastoral da Terra -, CIMI – Conselho Indigenista Missionário -, Pastoral da Criança, Pastoral Operária, Cáritas, Pastoral Afrodescendente (APNs), Pastoral Carcerária, Pastoral da Mulher Marginalizada, Pastoral da Saúde, Pastoral de Direitos Humanos, Pastoral de Rua, Pastoral do Menor, Pastoral de Vilas e Favelas, Pastoral dos Pescadores etc.
[7] Juventude Agrária Católica, formada por jovens do campo.
[8] Juventude Estudantil Católica, formada por jovens estudantes secundaristas.
[9] Juventude Independente Católica, que se constituía de jovens que não estivem na JAC, JEC, JOC ou JUC.
[10] Juventude Operária Católica, que atuava no meio operário.
[11] Juventude Universitária Católica, que atuava entre os jovens universitários.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

ARTIGOS: OS LIVROS DA BÍBLIA

Os livros da Bíblia

“Afinal, quantos livros tem a Bíblia? Vejo que a minha tem 73 livros, mas a de um meu amigo tem somente 66... Por que essa diferença?...”

A pergunta, feita por um jovem, serve para nos lembrar de que não há na própria Bíblia um capítulo com um título do tipo: “Lista dos livros divinamente inspirados da Bíblia”. Comparando uma Bíblia católica com uma não-católica, verificamos que na católica há sete livros que não encontramos nas outras. São eles: Tobias, Judite, 1º Livro dos Macabeus, 2º Livro dos Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico (também chamado Sirácida) e Baruc. Na Bíblia católica há também alguns capítulos não encontrados nas outras: Daniel 3,24-90; 13 e 14, e Ester 10,4 a 16,24. A seguir, a razão disso.
Até o primeiro século da era cristã, os judeus da Palestina ainda não haviam estabelecido a lista dos livros inspirados. Enquanto isso, em Alexandria, no Egito, uma próspera colônia judaica, ali estabelecida desde o século 4º aC, falava-se a língua grega. Por isso, sentiu-se a necessidade de traduzir os livros sagrados do hebraico (língua falada na Palestina) para o grego (língua então falada no Egito). Tal tradução, feita entre os anos 300 a 150 aC, passou a ser conhecida com o nome de “Versão dos Setenta”, porque atribuída a 72 tradutores – ou “Alexandrina”, por ter sido feita em Alexandria.
Quando, entre os anos 80 e 100 da era cristã, os judeus da Palestina reunidos em Jâmnia, cidade desse país, decidiram definir o catálogo sagrado (naturalmente, do Antigo Testamento), adotaram alguns critérios – isto é, para ser considerado inspirado, o livro deveria: 1º) ser antigo – quer dizer, não posterior a Esdras (século V aC); 2º) ter sido redigido em hebraico, não em aramaico ou grego; 3º) ter sua origem na Palestina, não em terras estrangeiras; 4º) estar em conformidade com a Lei de Moisés.
Assim, deixaram de ser reconhecidos por aqueles judeus sete livros que pertenciam à “Versão dos Setenta”, e que são os acima elencados. Os critérios estabelecidos por eles para oficializarem o catálogo sagrado tiveram como base uma mentalidade nacionalista, pois predominava naquele grupo uma aversão aos estrangeiros em geral. Assim, foram eliminados: o Eclesiástico, o 1º e 2º dos Macabeus e o Livro da Sabedoria, por serem posteriores a Esdras (além disso, o Livro da Sabedoria e o 2º dos Macabeus foram escritos em grego e em terras estrangeiras); Tobias e Judite, por terem sido redigidos em aramaico, provavelmente depois de Esdras; Baruc e fragmentos de Daniel, por se encontrarem apenas em recensões não hebraicas.
Desde o final do primeiro século depois de Cristo, portanto, havia dois catálogos bíblicos entre os judeus. Os cristãos católicos adotaram a edição grega dos Setenta (ou Alexandrina), com aqueles sete livros. E qual a razão? É que os apóstolos, escrevendo os evangelhos e suas cartas, referem-se ao Antigo Testamento não segundo o texto hebraico, adotado pelos judeus da Palestina, mas recorrendo à versão dos Setenta. Das 350 citações do Antigo Testamento que ocorrem no Novo Testamento, 300 são tiradas dessa tradução. Se a edição bíblica dos Setenta (Alexandrina), que incluía os sete livros a que me referi, fosse infiel ou deturpada, os apóstolos não a teriam usado. Por isso, a Igreja Católica está convicta de que foi o Espírito Santo que inspirou também esses sete livros. São Jerônimo (+ 420), quando traduziu a Bíblia para o latim (língua usada no Mediterrâneo, com a dominação romana), utilizou-se da versão dos Setenta. Sua tradução passou a ser conhecida com o nome de “Vulgata” (isto é, comum, usual).
Em síntese: como a própria Bíblia não traz dentro de si uma enumeração dos livros inspirados por Deus, sua lista só pode ser conhecida pela tradição. E temos hoje duas tradições: a católica, que reconhece como inspirados os 73 livros da versão dos Setenta (Alexandrina), e a evangélica, que só reconhece como inspirados aqueles da lista dos judeus que ficaram na Palestina. Quanto ao Novo Testamento, não há divergências entre as duas tradições.
Dom Murilo S.R. Krieger
Arcebispo de Salvador (BA)

terça-feira, 24 de julho de 2012

LITURGIA: 17º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B (29/07)

A liturgia do 17º domingo Comum dá-nos conta da preocupação de Deus em saciar a “fome” de vida dos homens. De forma especial, as leituras deste domingo dizem-nos que Deus conta connosco para repartir o seu “pão” com todos aqueles que têm “fome” de amor, de liberdade, de justiça, de paz, de esperança.
Na primeira leitura, o profeta Eliseu, ao partilhar o pão que lhe foi oferecido com as pessoas que o rodeiam, testemunha a vontade de Deus em saciar a “fome” do mundo; e sugere que Deus vem ao encontro dos necessitados através dos gestos de partilha e de generosidade para com os irmãos que os “profetas” são convidados a realizar.
O Evangelho repete o mesmo tema. Jesus, o Deus que veio ao encontro dos homens, dá conta da “fome” da multidão que O segue e propõe-Se libertá-la da sua situação de miséria e necessidade. Aos discípulos (aqueles que vão continuar até ao fim dos tempos a mesma missão que o Pai lhe confiou), Jesus convida a despirem a lógica do egoísmo e a assumirem uma lógica de partilha, concretizada no serviço simples e humilde em benefício dos irmãos. É esta lógica que permite passar da escravidão à liberdade; é esta lógica que fará nascer um mundo novo.
Na segunda leitura, Paulo lembra aos crentes algumas exigências da vida cristã. Recomenda-lhes, especialmente, a humildade, a mansidão e a paciência: são atitudes que não se coadunam com esquemas de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preconceito em relação aos irmãos. 

LEITURA I – 2 Re 4,42-44 
Leitura do Segundo Livro dos Reis 
Naqueles dias,
veio um homem da povoação de Baal-Salisa
e trouxe a Eliseu, o homem de Deus,
pão feito com os primeiros frutos da colheita.
Eram vinte pães de cevada e trigo novo no seu alforge.
Eliseu disse: «Dá-os a comer a essa gente».
O servo respondeu:
«Como posso com isto dar de comer a cem pessoas?»
Eliseu insistiu:
«Dá-os a comer a essa gente,
porque assim fala o Senhor:
‘Comerão e ainda há-de sobrar’».
Deu-lhos e eles comeram,
e ainda sobrou, segundo a palavra do Senhor. 

AMBIENTE 
As tradições proféticas sobre Elias e Eliseu (os “ciclos” de Elias e Eliseu) ocupam um espaço significativo no Livro dos Reis (cf. 1 Re 17,1-21,29; 2 Re 1,1-13,21). Referem-se a um período bastante conturbado – quer em termos políticos, quer em termos religiosos – da vida do Reino do Norte (Israel). Elias exerce a sua missão profética durante os reinados de Acab (874-853 a.C.) e de Acazias (853-852 a.C.); Eliseu dá o seu testemunho profético durante os reinados de Jorão (853-842 a.C.), de Jeú (842-813 a.C.) e de Joacaz (813-797 a.C.).
Os reis de Israel procuraram sempre estabelecer relações comerciais, econômicas, políticas e militares com os povos circunvizinhos. Essa abertura de fronteiras teve, no entanto, os seus custos em termos de fidelidade a Jahwé e à Aliança, uma vez que os cultos aos deuses estrangeiros entravam no país e ocupavam um lugar significativo na vida e no coração dos israelitas. É uma época de sincretismo religioso, em que a religião jahwista é, com a complacência até com o apoio declarado dos reis de Israel, preterida em favor dos cultos de Baal e de Astarte. Em termos sociais, é uma época em que se multiplicam as injustiças contra os pobres e as arbitrariedades contra os fracos. Tudo isto consubstancia um quadro de graves infidelidades contra Deus e contra a Aliança.
É contra este quadro que se levantam Elias e Eliseu. Elias aparece como o representante desses israelitas fiéis aos valores religiosos tradicionais, que recusavam a coexistência de Jahwéh e de Baal no horizonte da fé de Israel; e a luta de Elias será continuada por um dos seus discípulos – Eliseu.
Parece que Eliseu – o ator principal da primeira leitura deste domingo – fazia parte de uma comunidade de “filhos de profetas” (os “benê nebi'im” – 2 Re 2,3; 4,1). Trata-se de uma comunidade de homens que viviam pobremente (2 Re 4,1-7) e que eram os seguidores incondicionais de Jahwéh. O Povo consultava-os regularmente e buscava neles apoio face aos abusos dos poderosos. Eliseu é apresentado muitas vezes, nas histórias narradas no “ciclo de Eliseu” (cf. 2 Re 2; 3,4-27; 4,1-8,15; 9,1-10; 13,14-21), como um profeta “dos milagres”, cujas ações mostram a presença da força e da vida de Deus no meio do seu Povo. Outras vezes, Eliseu é o profeta da intervenção política; a sua ação neste campo ultrapassa mesmo as fronteiras físicas de Israel e chega a Damasco (cf. 2 Re 8,7-15). 

MENSAGEM 
O texto que nos é proposto como primeira leitura conta que um homem de Baal-Shalisha trouxe a Eliseu o “pão das primícias”: vinte pães de cevada e trigo novo num saco. De acordo com Lv 23,20, o pão das primícias devia ser apresentado diante do Senhor e consagrado ao Jahwéh, embora depois revertesse em benefício do sacerdote… Deve ser este costume que está subjacente ao episódio da entrega dos pães a Eliseu.
Eliseu, no entanto, não conservou os dons para si, mas mandou reparti-los pelas pessoas que rodeavam o profeta. O “servo” do profeta não acreditava que os alimentos oferecidos chegassem para cem pessoas; no entanto, chegaram e ainda sobraram.
Estamos, aqui, diante de uma sucessão de gestos que revelam generosidade e vontade de partilhar: do homem que leva os dons ao profeta e do profeta que não os guarda para si, mas os manda partilhar com as pessoas que o rodeiam. A descrição de uma milagrosa multiplicação de pães de cevada e de grãos de trigo sugere que, quando o homem é capaz de sair do seu egoísmo e tem disponibilidade para partilhar os dons recebidos de Deus, esses dons chegam para todos e ainda sobram. A generosidade, a partilha, a solidariedade, não empobrecem, mas são geradoras de vida e de vida em abundância.
Este relato fornecerá aos autores neo-testamentários o modelo literário em que se inspirarão para apresentar os relatos evangélicos das multiplicações dos pães (cf. Mc 6,34-44; 8,1-10; Mt 14,13-21; 15,32-38; Lc 9,10-17). 

ATUALIZAÇÃO 
• O “profeta” é um homem chamado por Deus e enviado a ser o rosto de Deus no meio do mundo. Nas palavras e nos gestos do “profeta”, é Deus que Se manifesta aos homens e que lhes indica a sua vontade e as suas propostas. No gesto de repartir o pão para saciar a fome das pessoas, o “profeta” manifesta a eterna preocupação de Deus com a “fome” do mundo (fome de pão, fome de liberdade, fome de dignidade, fome de realização plena, fome de amor, fome de paz…) e a sua vontade de dar aos homens vida em abundância… Não tenhamos dúvidas: Deus preocupa-Se, todos os dias, em oferecer aos seus filhos vida em abundância. É Deus que nos dá, dia a dia, o pão que mata a nossa fome de vida. 
• Como é que Deus atua para saciar a fome de vida dos homens? É fazendo chover do céu, milagrosamente, o “pão” de que o homem necessita? A nossa primeira leitura sugere que Deus atua de forma mais simples e mais normal… É através da generosidade e da partilha dos homens (primeiro do homem que decide oferecer o fruto do seu trabalho; depois, do profeta que manda distribuir o alimento) que o “pão” chega aos necessitados. Normalmente, Deus serve-Se dos homens para intervir no mundo e para fazer chegar ao mundo os seus dons. Muitas vezes sonhamos com gestos espetaculares de Deus e vivemos de olhos fixos no céu à espera que Deus Se digne intervir no mundo; e acabamos por não perceber que Deus já veio ao nosso encontro e que Ele Se manifesta na ação generosa de tantos homens e mulheres que praticam, sem publicidade, gestos de partilha, de solidariedade, de doação, de entrega. É preciso aprendermos a detectar a presença e o amor de Deus nesses gestos simples que todos os dias testemunhamos e que ajudam a construir um mundo mais justo, mais fraterno e mais solidário. 
• Ao mostrar que é através das ações dos homens que Deus sacia a fome do mundo, o nosso texto convida-nos ao compromisso. Deus precisa de nós, da nossa generosidade e bondade, para ir ao encontro dos nossos irmãos necessitados e para lhes oferecer vida em abundância. Nós, os crentes, somos chamados a ser – como o profeta Eliseu – testemunhas desse Deus que quer partilhar com os homens o seu “pão”; e esse “pão” de Deus deve derramar-se sobre os nossos irmãos nos nossos gestos de partilha, de generosidade, de solidariedade, de amor sem limites. 

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 144 (145) 
Refrão: Abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome. 

Graças Vos dêem, Senhor, todas as criaturas
e bendigam-Vos os vossos fiéis.
Proclamem a glória do vosso reino
e anunciem os vossos feitos gloriosos. 

Todos têm os olhos postos em Vós,
e a seu tempo lhes dais o alimento.
Abris as vossas mãos
e todos saciais generosamente. 

O Senhor é justo em todos os seus caminhos
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade. 

LEITURA II – Ef 4,1-6 
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios 
Irmãos:
Eu, prisioneiro pela causa do Senhor,
recomendo-vos que vos comporteis
segundo a maneira de viver a que fostes chamados:
procedei com toda a humildade, mansidão e paciência;
suportai-vos uns aos outros com caridade;
empenhai-vos em manter a unidade de espírito
pelo vínculo da paz.
Há um só Corpo e um só Espírito,
como existe uma só esperança na vida a que fostes chamados.
Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo.
Há um só Deus e Pai de todos,
que está acima de todos, atua em todos
e em todos Se encontra. 

AMBIENTE 
A Carta aos Efésios (que temos vindo a refletir e cujo texto vai continuar a acompanhar-nos nos próximos domingos) parece ser uma “carta circular”, enviada a várias comunidades cristãs da parte ocidental da Ásia Menor, inclusive aos cristãos de Éfeso. É considerada uma “carta de cativeiro”, escrita por Paulo da prisão (os que aceitam a autoria paulina desta carta discutem qual o lugar onde Paulo está preso, nesta altura, embora a maioria ligue a carta ao cativeiro de Paulo em Roma entre 61/63).
De qualquer forma, é um texto bem trabalhado, que apresenta uma catequese sólida e bem elaborada. Poderia ser um texto da fase “madura” de Paulo. Alguns autores consideram a Carta aos Efésios uma espécie de síntese do pensamento paulino.
O texto que hoje nos é proposto como segunda leitura é o início da parte moral e parenética da carta (cf. Ef 4,1-6,20). Temos, aí, uma espécie de “exortação aos batizados”, na qual Paulo reflete longamente sobre a edificação e o crescimento do “Corpo de Cristo”. Em termos sempre bastante concretos, Paulo dá pistas aos cristãos acerca da forma como eles devem viver os seus compromissos com Cristo, de forma a chegarem a ser Homens Novos. 

MENSAGEM 
O nosso texto começa com uma referência ao fato de Paulo estar preso… A condição de prisioneiro por causa de Jesus e do Evangelho dá um peso especial às recomendações do apóstolo: são as palavras de alguém que leva tão a sério a proposta de Jesus, que é capaz de sofrer e de arriscar a vida por ela.
Na perspectiva de Paulo, a vida nova exige, em primeiro lugar, que os crentes vivam unidos em Cristo. Ora, há comportamentos e atitudes que são condição necessária para que essa unidade se torne efetiva (vers. 2-3)… Antes de mais, Paulo refere a humildade, pois só ela permite superar o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência que afastam os irmãos e que erguem entre eles barreiras de separação; depois, Paulo refere a mansidão, irmã da humildade, e qualidade que derruba barreiras na comunhão; Paulo refere também a paciência, que permite ser tolerante e compreensivo para com as falhas dos irmãos e que permite entender e aceitar as diferentes maneiras de ser e de agir… Em resumo, trata-se, fundamentalmente, de fazer com que a caridade presida às relações que estabelecemos uns com os outros; o amor deve ser sempre o suporte das nossas relações humanas. A unidade é um dom de Deus; mas a sua efetivação depende do contributo e do esforço de cada irmão.
Na segunda parte do nosso texto, Paulo apresenta um conjunto de elementos que fundamentam a obrigatoriedade da unidade dos crentes: “há um só Corpo e um só Espírito, como existe uma só esperança” na vida a que todos os crentes foram chamados; “há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo; há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, atua em todos e em todos se encontra” (vers. 4-6). A menção do Pai, do Filho e do Espírito, neste contexto, sugere que a Trindade é a fonte última e o modelo da unidade que os cristãos devem viver, na sua experiência de caminhada comunitária. 

ATUALIZAÇÃO 
• A Igreja é um “corpo” – o “Corpo de Cristo”. Naturalmente, esse “corpo” é formado por muitos membros, todos eles diversos; mas todos eles dependem de Cristo (a “cabeça” desse “corpo”) e recebem d’Ele a mesma vida. Formam, portanto, uma unidade… Têm o mesmo Pai (Deus), têm um projeto comum (o projeto de Jesus), têm o mesmo objetivo (fazer parte da família de Deus e encontrar a vida em plenitude), caminham na mesma direcão animados pelo mesmo Espírito, têm a mesma missão (dar testemunho no mundo do projeto de amor que Deus tem para os homens). Neste esquema, não fazem qualquer sentido as divisões, os ciúmes, as rivalidades, as invejas, os ódios, as divergências que tantas vezes dividem os irmãos da mesma comunidade. Quando os irmãos não se esforçam por caminhar unidos, provavelmente ainda não descobriram os fundamentos da sua fé. A minha comunidade (cristã ou religiosa) é uma comunidade que caminha unida e solidária, partilhando a vida e o amor, apesar das diferenças legítimas dos seus membros? Em termos pessoais, sinto-me um construtor de unidade, ou um fator de divisão? 
• Para que a unidade seja possível, Paulo recomenda aos destinatários da Carta aos Efésios a humildade, a mansidão e a paciência. São atitudes que não se coadunam com esquemas de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de preconceito em relação aos irmãos. Como é que eu me situo face aos outros? A minha relação com os irmãos é marcada pelo egoísmo ou pela disponibilidade para servir e partilhar? Procuro estar atento às necessidades dos outros e ir ao seu encontro, ou levanto muros de orgulho e de auto-suficiência que impedem a relação, a comunhão, a comunicação? Estou aberto às diferenças e disposto a dialogar, ou vivo entrincheirado nos meus preconceitos, catalogando e marginalizando aqueles que não concordam comigo? 
• A Igreja é uma unidade; mas é também uma comunidade de pessoas muito diferentes, em termos de raça, de cultura, de língua, de condição social ou econômica, de maneiras de ser... As diferenças legítimas nunca devem ser vistas como algo negativo, mas como uma riqueza para a vida da comunidade; não devem levar ao conflito e à divisão, mas a uma unidade cada vez mais estreita, construída no respeito e na tolerância. A diversidade é um valor, que não pode nem deve anular a unidade e o amor dos irmãos. 

ALELUIA – Lc 7,17 
Aleluia. Aleluia. 
Apareceu entre nós um grande profeta:
Deus visitou o seu povo. 

EVANGELHO – Jo 6,1-5 
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 
Naquele tempo,
Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia,
ou de Tiberíades.
Seguia-O numerosa multidão,
por ver os milagres que Ele realizava nos doentes.
Jesus subiu a um monte
e sentou-Se aí com os seus discípulos.
Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus.
Erguendo os olhos
e vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro,
Jesus disse a Filipe:
«Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?»
Dizia isto para o experimentar,
pois Ele bem sabia o que ia fazer.
Respondeu-Lhe Filipe:
«Duzentos denários de pão não chegam
para dar um bocadinho a cada um».
Disse-Lhe um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro:
«Está aqui um rapazito
que tem cinco pães de cevada e dois peixes.
Mas que é isso para tanta gente?»
Jesus respondeu: «Mandai sentar essa gente».
Havia muita erva naquele lugar
e os homens sentaram-se em número de uns cinco mil.
Então, Jesus tomou os pães, deu graças
e distribuiu-os aos que estavam sentados,
fazendo o mesmo com os peixes;
E comeram quanto quiseram.
Quando ficaram saciados,
Jesus disse aos discípulos:
«Recolhei os bocados que sobraram,
para que nada se perca».
Recolheram-nos e encheram doze cestos
com os bocados dos cinco pães de cevada
que sobraram aos que tinham comido.
Quando viram o milagre que Jesus fizera,
aqueles homens começaram a dizer:
«Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo».
Mas Jesus, sabendo que viriam buscá-l’O para O fazerem rei,
retirou-Se novamente, sozinho, para o monte. 

AMBIENTE 
A liturgia propõe-nos hoje (e durante mais alguns domingos) a leitura do capítulo 6 do Evangelho segundo João – a catequese sobre Jesus, o Pão da vida.
Na primeira parte do Evangelho (cf. Jo 4,1-19,42), João apresenta a atividade de Jesus no sentido de criar e dar vida ao homem, de forma a que surja um Homem Novo, liberto do egoísmo e do pecado, animado pelo Espírito, capaz de seguir Jesus e de viver na mesma dinâmica de Jesus – isto é, no amor ao Pai e aos irmãos. Esta primeira parte divide-se em dois “livros” – o “Livro dos Sinais” (cf. Jo 4,1-11,56) e o “Livro da Hora” (cf. Jo 12,1-19,42).
No “Livro dos Sinais” (cf. Jo 4,1-11,56), o autor do Quarto Evangelho expõe, recorrendo a símbolos significativos (a “água” – cf. Jo 4,1-5,47; o “pão” – cf. Jo 6,1-7,53; a “luz” – cf. Jo 8,12-9,41; o “pastor” – cf. Jo 10,1-42; a “ressurreição” – cf. Jo 11,1-56), a sua catequese sobre a ação de Jesus em favor do homem. Jesus é aí apresentado como a proposta de vida verdadeira que o homem é convidado a acolher e a assimilar.
No capítulo 6 – que hoje começamos a ler – João apresenta Jesus como o Pão que sacia a sede de vida que o homem sente. O episódio hoje narrado é geograficamente situado “na outra margem” do Lago de Tiberíades (no capítulo anterior, Jesus estava em Jerusalém, no centro da instituição judaica; agora, sem transição, aparece na Galileia, a atravessar o “mar” para o outro lado). Em termos cronológicos, João nota que estava perto a Páscoa, a festa mais importante do calendário religioso judaico, que celebrava a libertação do Povo de Deus da opressão do Egito. 

MENSAGEM 
Uma leitura, ainda que superficial, do texto que nos é proposto mostra alguns interessantes paralelos entre a cena da multiplicação dos pães e a libertação do Povo de Deus da escravidão do Egito, com Jesus no papel de Moisés, o libertador. O fato dá-nos, logo à partida, uma chave de leitura para entender esta catequese: João quer apresentar a ação de Jesus como uma ação libertadora que visa fazer passar o Povo da terra da escravidão para a terra da liberdade… A catequese que João nos apresenta vai desenvolver-se em vários passos:
1. Começa com uma referência à “passagem do mar” (que, na realidade, é um lago); essa referência pode aludir à passagem do Mar Vermelho por Moisés com o Povo libertado do Egito (cf. Ex 14,15-31). O objetivo final de Jesus é, portanto, fazer o Povo que o acompanha passar da terra da escravidão para a terra da liberdade.
2. Como aconteceu com Moisés, com Jesus vai uma grande multidão. A multidão que acompanha Jesus pretende “ver os milagres que Ele realizava nos doentes” (vers. 2). O termo grego aqui utilizado (“asthenês” – “enfermos”) designa, em geral, alguém que está numa situação de grande debilidade. A multidão segue Jesus, pois quer ver os sinais que Ele faz e que representam a libertação do homem da sua debilidade e fragilidade. É um Povo marcado pela opressão, que quer experimentar a libertação. Já perceberam que só Jesus, o libertador, conseguirá ajudá-los a superar a sua condição de miséria e de escravidão.
3. Jesus – diz o nosso texto – subiu a “um monte” (vers. 3). A referência ao “monte” leva-nos ao contexto da Aliança do Sinai e ao monte onde Deus ofereceu ao Povo, através de Moisés, os mandamentos. Dizer que Jesus subiu ao “monte” significa dizer que é através de Jesus que se vai realizar a nova Aliança entre Deus e esse Povo de gente livre que, com Jesus, “atravessou o mar” em direcção à terra da liberdade.
4. A referência à Páscoa que estava próxima (vers. 4) seria uma referência inútil, se não estivéssemos no contexto da libertação do Povo da escravidão. Na época de Jesus, a Páscoa era a festa da libertação e da constituição do Povo de Deus; mas era também a festa que anunciava esse tempo futuro em que o Messias ia libertar definitivamente o Povo de Deus. Nesta altura, o Povo devia subir a Jerusalém para, no “monte” do Templo, celebrar a libertação; em contrapartida, a multidão segue Jesus para um outro “monte”, do outro lado do mar… O Povo começa a libertar-se do jugo das instituições judaicas e a perceber que é em Jesus que se vão inaugurar os tempos novos da liberdade e da paz.
5. A multidão que segue Jesus tem fome e não tem que comer (vers. 5-6). A referência leva-nos, outra vez, ao Êxodo, ao deserto, quando o Povo que caminhava para a terra da liberdade sentiu fome. Então, foi Deus que respondeu à necessidade do Povo e lhe deu comida em abundância; aqui, é Jesus que Se apercebe das necessidades da multidão e tenta remediá-las. Ele mostra, assim, o rosto do Deus do amor e da bondade, sempre atento às necessidades do seu Povo.
6. Qual a solução que Jesus vai dar à “fome” da multidão? Na procura da solução, Jesus envolve a comunidade dos discípulos (“onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?” – vers. 5). A comunidade de Jesus (onde naturalmente Jesus Se inclui) tem de sentir-se responsável pela “fome” dos homens e tem de sentir que é sua responsabilidade e missão saciar essa “fome”.
João nota que Jesus põe a questão aos discípulos (representados por Filipe) para os “experimentar” (vers. 6). O problema pode ser posto da seguinte forma: como é que a comunidade dos discípulos – formados na escola e nos valores de Jesus – pretende responder à fome do mundo? É recorrendo ao sistema econômico vigente, que se baseia no egoísmo e no poder do dinheiro e coloca os bens nas mãos de poucos, gerando uma lógica de opressão, de dependência e de necessidade? Será este o sistema desse mundo novo e livre que Jesus deseja instituir? Os discípulos de Jesus alinham com esse sistema opressor, baseado na compra, na venda e no lucro, ou já perceberam que Jesus tem uma proposta nova a fazer, geradora de libertação e de vida em abundância para todos?
7. Filipe constata a impossibilidade de resolver o problema, dentro do quadro econômico vigente… “Duzentos denários não bastariam para dar um pedaço a cada um” (vers. 7). Um denário equivalia ao salário base de um dia de trabalho; assim, nem o dinheiro de mais de meio ano de trabalho daria para resolver o problema. Por outras palavras: confiando no sistema instituído (o da compra e venda, que supõe o sistema econômico regido pelo lucro egoísta), é impossível resolver o problema da necessidade dos esfomeados. A comunidade de Jesus é convidada, portanto, a abandonar este sistema e a encontrar outros…
8. André, porém, vislumbra uma solução diferente (vers. 8-9). Este apóstolo representa, na comunidade de Jesus, essa categoria dos que aderiram a Jesus de forma convita, que têm uma grande intimidade com Jesus e que, portanto, estão mais conscientes das propostas de Jesus. No entanto, André não está muito convito dos resultados (“o que é isso para tanta gente?”). Seria bom – considera André – encontrar outro sistema diferente do sistema explorador; mas isso não resulta… Jesus vai, precisamente, provar que é possível encontrar outro sistema que reparta vida e que elimine a lógica da exploração.
9. A figura do “menino” que apenas aparece na cena da multiplicação dos pães na versão de João é uma figura desnecessária do ponto de vista da narração: para o resultado final, tanto dava que o possuidor dos pães e dos peixes fosse uma criança ou um adulto. Sendo assim, porque é que João insiste em falar de uma criança? Porque a figura do “menino” é muito significativa: quer pela idade, quer pela condição, é um “débil”, física e socialmente. Representa a debilidade da comunidade de Jesus face às enormes carências do mundo. A palavra grega utilizada por João para falar da criança indica simultaneamente um “menino” e um “servo”: a comunidade, representada nesse “menino”, apresenta-se diante do mundo como um grupo socialmente humilde, sem pretensão alguma de poder e de domínio, dedicada ao serviço dos homens. É essa comunidade simples e humilde, vocacionada para o serviço, que é chamada a resolver a questão da necessidade dos pobres e a instaurar um novo sistema libertador. Qual é esse sistema?
10. Os números “cinco” (“pães”) e “dois” (“peixes”), também não aparecem por acaso: a sua soma dá “sete” – o número que significa totalidade… Ou seja: é na partilha da totalidade do que a comunidade possui que se responde à carência dos homens. É uma totalidade fraccionada e diversificada; mas que, posta ao serviço dos irmãos, sacia a fome do mundo.
11. Sobre os alimentos disponibilizados pela comunidade, Jesus pronuncia uma “ação de graças” (vers. 11). O “dar graças” significa reconhecer que os bens são dons que vêm de Deus. Ora, reconhecer que os bens vêm de Deus significa desvinculá-los do seu possessor humano, para reconhecer que eles são um dom gratuito que Deus oferece aos homens; e Deus não oferece a uns e não a outros… “Dar graças” é reconhecer que os bens recebidos pertencem a todos e que quem os possui é apenas um administrador encarregado de os pôr à disposição de todos os irmãos, com a mesma gratuidade com que os recebeu. Os bens são, assim, libertos da posse exclusiva de alguns, para serem dom de Deus para todos os homens. É este o sistema que Deus quer instaurar no mundo; e a comunidade cristã é chamada a testemunhar esta lógica.
12. Uma vez saciada a fome do mundo, através desses bens que a comunidade recebeu de Deus e que pôs ao serviço de todos os homens, os discípulos são chamados a outras tarefas. Há sobras que não se podem perder, mas que devem ser o princípio de outras abundâncias. É preciso multiplicar incessantemente o amor e o pão… E a comunidade, uma vez percebido o projeto de Jesus, deve usar o que tem para continuar a oferecer a vida aos homens. A referência aos doze cestos recolhidos pelos discípulos pode ser uma alusão a Israel (as doze tribos): se a comunidade dos discípulos souber partilhar aquilo que recebeu de Deus, pode satisfazer a fome de todo o Povo (vers. 12-13).
13. Alguns dos que testemunharam a multiplicação dos pães e dos peixes têm consciência de que Jesus é o Messias que devia vir para dar ao seu Povo vida em abundância e querem fazê-lo rei (vers. 14-15). Jesus não aceita… Ele não veio resolver os problemas do mundo instaurando um sistema de autoridade e de poder; mas veio convidar os homens a viverem numa lógica de partilha e de solidariedade, que se faz dom e serviço humilde aos irmãos. É dessa forma que Ele se propõe – com a colaboração dos discípulos – eliminar o sistema opressor, responsável pela fome e pela miséria. O mundo novo que Jesus veio propor não assenta numa lógica de poder e autoridade, mas no serviço simples e humilde que leva a partilhar a vida com os irmãos.
A perícopa que nos é hoje proposta pretende, pois, apresentar o projeto de Deus realizado em Jesus como um projeto de libertação, que há-de eliminar a opressão e instaurar um mundo de homens livres, salvos do egoísmo e capazes de amar e de partilhar. Frente ao sistema que se baseia no lucro e na exploração, Jesus propõe uma nova atitude. É necessário – diz Jesus – substituir o egoísmo pelo amor e pela partilha. A comunidade de Jesus tem a função de descobrir esta lógica, de a acolher e de propô-la ao mundo. Ela tem de aprender que os bens são um dom de Deus, destinados a todos. Procedendo dessa forma, ela está a instaurar um novo sistema e a libertar os homens desses condicionamentos egoístas que geram injustiça, necessidade, carência, debilidade, sofrimento. Quem quiser acompanhar Jesus neste caminho, passará seguramente da escravidão do lucro para a liberdade da partilha, do serviço, do amor aos irmãos. 

ATUALIZAÇÃO 
• Jesus é o Deus que Se revestiu da nossa humanidade e veio ao nosso encontro para nos revelar o seu amor. O seu projeto – projeto que Ele concretizou em cada palavra e em cada gesto enquanto percorreu, com os seus discípulos, as vilas e aldeias da Palestina – consiste em libertar os homens de tudo aquilo que os oprime e lhes rouba a vida. O nosso texto mostra Jesus atento às necessidades da multidão, empenhado em saciar a fome de vida dos homens, preocupado em apontar-lhes o caminho que conduz da escravidão à liberdade. A atitude de Jesus é, para nós, uma expressão clara do amor e da bondade de um Deus sempre atento às necessidades do seu Povo. Garante-nos que, ao longo do caminho da vida, Deus vai ao nosso lado, atento aos nossos dramas e misérias, empenhado em satisfazer as nossas necessidades, preocupado em dar-nos o “pão” que sacia a nossa fome de vida. A nós, compete-nos abrir o coração ao seu amor e acolher as propostas libertadoras que Ele nos faz. 
• A “fome” de pão que a multidão sente e que Jesus quer saciar é um símbolo da fome de vida que faz sofrer tantos dos nossos irmãos… Os que têm “fome” são aqueles que são explorados e injustiçados e que não conseguem libertar-se; são os que vivem na solidão, sem família, sem amigos e sem amor; são os que têm que deixar a sua terra e enfrentar uma cultura, uma língua, um ambiente estranho para poderem oferecer condições de subsistência à sua família; são os marginalizados, abandonados, segregados por causa da cor da sua pele, por causa do seu estatuto social ou econômico, ou por não terem acesso à educação e aos bens culturais de que a maioria desfruta; são as crianças vítimas da violência e da exploração; são as vítimas da economia global, cuja vida dança ao sabor dos interesses das multinacionais; são as vítimas do imperialismo e dos interesses dos grandes do mundo… É a esses e a todos os outros que têm “fome” de vida e de felicidade, que a proposta de Jesus se dirige. 
• No nosso Evangelho, Jesus dirige-Se aos seus discípulos e diz-lhes: “dai-lhes vós mesmos de comer”. Os discípulos de Jesus são convidados a continuar a missão de Jesus e a distribuírem o “pão” que mata a fome de vida, de justiça, de liberdade, de esperança, de felicidade de que os homens sofrem. Depois disto, nenhum discípulo de Jesus pode olhar tranquilamente os seus irmãos com “fome” e dizer que não tem nada com isso… Os discípulos de Jesus são convidados a responsabilizarem-se pela “fome” dos homens e a fazerem tudo o que está ao seu alcance para devolver a vida e a esperança a todos aqueles que vivem na miséria, no sofrimento, no desespero. 
• No nosso Evangelho, os discípulos constatam que, recorrendo ao sistema econômico vigente, é impossível responder à “fome” dos necessitados. O sistema capitalista vigente – que, quando muito, distribui a conta gotas migalhas da riqueza para adormecer a revolta dos explorados – será sempre um sistema que se apoia na lógica egoísta do lucro e que só cria mais opressão, mais dependência, mais necessidade. Não chega criar melhores programas de assistência social ou programas de rendimento mínimo garantido, ou outros sistemas que apenas perpetuam a injustiça… Os discípulos de Jesus têm de encontrar outros caminhos e de propor ao mundo que adote outros valores. Quais? 
• Jesus propõe algo de realmente novo: propõe uma lógica de partilha. Os discípulos de Jesus são convidados a reconhecer que os bens são um dom de Deus para todos os homens e que pertencem a todos; são convidados a quebrar a lógica do açambarcamento egoísta dos bens e a pôr os dons de Deus ao serviço de todos. Como resultado, não se obtém apenas a saciedade dos que têm fome, mas um novo relacionamento fraterno entre quem dá e quem recebe, feito de reconhecimento e harmonia que enriquece ambos e é o pressuposto de uma nova ordem, de um novo relacionamento entre os homens. É esta a proposta de Deus; e é disto que os discípulos são chamados a dar testemunho. 
• Os discípulos de Jesus não podem, contudo, dirigir-se aos irmãos necessitados olhando-os “do alto”, instalados nos seus esquemas de poder e autoridade, usando a caridade como instrumento de apoio aos seus projetos pessoais, ou exigindo algo em troca… Os discípulos de Jesus devem ser um grupo humilde (a “criança” do Evangelho), sem pretensão alguma de poder e de domínio, e que apenas está preocupado em servir os irmãos com “fome”. 
• O que resulta da proposta de Jesus é uma humanidade totalmente livre da escravidão dos bens. Os necessitados tornam-se livres porque têm o necessário para viverem uma vida digna e humana; os que repartem os bens libertam-se da lógica egoísta dos bens e da escravidão do dinheiro e descobrem a liberdade do amor e do serviço. 
• No final, os discípulos são convidados a recolher os restos, que devem servir para outras “multiplicações”. A tarefa dos discípulos de Jesus é uma tarefa nunca acabada, que deverá recomeçar em qualquer tempo e em qualquer lugar onde haja um irmão “com fome”. 

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O 17º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”) 

1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao 17º Domingo do Tempo Comum, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus. 

2. BILHETE DE EVANGELHO.
Jesus não fecha os olhos diante dos homens: não somente vê a multidão, como se apercebe da sua fome. Antes de fazer o milagre, solicita a confiança dos seus apóstolos, esta confiança que Ele põe à prova. Então faz dois gestos: vira-se para Deus seu Pai, dando graças, e distribui o alimento. Que contraste gritante entre esta multidão que tem fome e o alimento que lhe vai ser oferecido, cinco pães e dois peixes. E ao mesmo quanta abundância! Não somente a multidão está saciada, mas sobram doze cestos. É a prodigalidade do Amor: Deus ama infinitamente, e este sinal operado por Jesus anuncia não o poder de um rei, mas o dom de Deus a todos os homens. Não somente Jesus veio para o maior número, mas veio dar a vida em abundância. Este sinal anuncia um outro sinal. Depois de ter comido, a multidão, no dia seguinte, terá ainda fome. Mas o alimento que Cristo ressuscitado oferecerá aos homens será a sua vida, e aqueles que comerem este Pão de Vida jamais terão fome. 

3. À ESCUTA DA PALAVRA.
Jesus não cria pães e peixes a partir de nada. Cria a partir dos cinco pães e dois peixes do menino. A partir do pão dos pobres! Ao multiplicar os pães e os peixes, Jesus multiplica o dom do menino. Mas é ridículo alimentar uma multidão de cinco mil homens com tão pequena quantidade. Mas uma pequena quantidade pode ter um valor infinito. Jesus não olha como nós. O nosso olhar deve ser como o de Jesus. Quando damos amor, amizade, um pouco do nosso tempo ou simplesmente um sorriso, quando procuramos respeitar o outro, sem o julgar, quando fazemos um caminho de perdão… Jesus serve-Se desse pequeno pouco para construir connosco, pacientemente, dia após dia, o seu Reino. 

4. PARA A SEMANA QUE SE SEGUE…
Procuremos afastar-nos um pouco da vida frenética e stressante, procuremos ser menos inquietos e mais confiantes… Fiar-se mais no Senhor, dispor-se para responder às diversas missões e confiar tudo isso ao Senhor, para que Ele multiplique… 


UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS PROPOSTA PARA ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909

segunda-feira, 23 de julho de 2012

DIOCESE: CONVITE AOS ELEITORES E AOS CANDIDATOS A PREFEITO E VEREADOR

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2012
DIOCESE DE DOURADOS
CONSELHO DIOCESANO DE LEIGOS

CONVITE AOS ELEITORES E AOS CANDIDATOS

Aos cristãos da Igreja de Deus presente na Diocese de Dourados!

Mais uma vez, somos solicitados a cumprir com uma de nossas responsabilidades de cristãos e cidadãos brasileiros: escolher os candidatos para prefeitos e vereadores de nossos municípios. Se a política é a maneira privilegiada de praticar a caridade e de buscar o bem comum, como ensinava o Papa Paulo VI, esta é uma ocasião para demonstrar a quantas andam as nossas convicções religiosas e o nosso amor à pátria, votando em candidatos competentes e honestos.
Em mensagem publicada no final de sua Assembleia anual, em Aparecida, no mês de abril, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lembra que “as eleições municipais têm uma característica própria em relação às demais por colocar em disputa projetos que discutem os problemas mais próximos do povo: educação, saúde, segurança, trabalho, transporte, moradia, ecologia e lazer. Trata-se, por isso, de um processo eleitoral com maior participação da população, já que os candidatos são mais visíveis no cotidiano da vida dos eleitores’.
Quanto aos candidatos, a CNBB é clara e incisiva: “Eles precisam ter seu histórico de coerência de vida e discurso político referendados pela honestidade, pela competência, pela transparência e pela vontade de servir ao bem comum. Os valores éticos devem ser o farol a orientar os eleitores, em contínuo diálogo entre o poder local e suas comunidades”.
Por isso, é motivo de dor e decepção constatar que, apesar do grande número de eleitores que se consideram cristãos, num momento tão importante como é a eleição, muitos esquecem suas obrigações e votam em pessoas sem nenhuma condição para assumir cargos públicos. Votam nelas por interesses particulares: porque são parentes ou amigos, porque delas recebem favores, numa palavra, porque se deixam comprar ou vender. Se quisermos ser governados por políticos honestos, talvez devêssemos baixar uma nova lei: só podem votar eleitores honestos! Se há políticos corruptos, não poucas vezes é porque foram eleitos por votantes corruptos!
Como deve ser, então, o político para merecer o voto de um cristão digno desse nome?  Para Dom Raymundo Damasceno Assis, Presidente da CNBB, “autêntico político é quem se coloca 24 horas por dia a serviço do bem do país, e não quem faz da política um meio de se enriquecer ou de atender apenas aos interesses de seu grupo, exercendo um política filosófica e corporativista. Político de verdade é quem pensa no bem da sociedade, especialmente dos mais pobres e necessitados”.
Dom Damasceno conclui suas palavras com uma sugestão de capital importância: “Há um desejo de toda a população de que a Ficha Limpa não seja aplicada só aos candidatos a prefeito e vereador, mas a todos aqueles que passarão a ocupar um cargo. O bom prefeito ou vereador deve escolher também colaboradores competentes, honestos, capazes de ajudá-lo no exercício de sua função”.
Para serem coerentes com sua fé, em cada município, os cristãos devem unir suas forças e exigir que a lei da Ficha Limpa seja aplicada não apenas para prefeitos e vereadores, mas para todas as pessoas convidadas a ocupar cargos de confiança e responsabilidade no Poder Executivo e Legislativo – como, aliás, muitos municípios já conseguiram. Mas isso jamis acontecerá se, no dia da eleição, nos deixarmos guiar por critérios indignos, como seria votar num candidato só porque é do nosso partido, faz belas promessas ou tem muito dinheiro...
 Com o intento de ajudar os candidatos de seu município a tornar consciência da missão que se dispõe a assumir, cada comunidade paroquial os convide para momentos de reflexão, inclusive, se for o caso, com a presença da população. Ademais, todas são insistentemente solicitadas a contactar os candidatos (independentemente de sua opção partidária e religiosa) e convocá-los a participar do Encontro programado pela Diocese:
ENCONTRO COM CANDIDATOS A PREFEITO, VICE-PREFEITO E VEREADOR
Dia: 18 de agosto de 2012.
Horário: das 14 às 17 horas
Local: Auditório da ACED, em Dourados (esquina das ruas Joaquim Teixeira Alves e João Rosa Góes)
Promoção: Conselho Diocesano de Leigos
Dom Redovino Rizzardo, cs
Bispo Diocesano de Dourados

CNBB: RETIRO DÁ PISTAS DE ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA PARA ANIMADORES MISSIONÁRIOS E AGENTES DE PASTORAL

Retiro dá pistas de espiritualidade missionária para animadores missionários e agentes de pastoral
“Quando Jesus envia seus discípulos em missão, ele diz: ‘Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 19)’, portanto, é um mandato que nos interpela a sair de si para um lugar onde há necessidade de fazer Jesus conhecido e amado”, explica. Padre Guido continua. “Quando falamos sair, não necessariamente precisa ser geograficamente, pois a missão é aqui também, mas o sair refere-se à necessidade da missão se fazer além de mim, das minhas próprias fronteiras. O aqui e o além-fronteiras devem se complementar”.


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NOTÍCIAS: ENCONTRO FORANIAL DAS PEQUENAS COMUNIDADES CRISTÃS

Fui convidado pra fazer uma oração,
 eu respondi: tô nessa;
Fui convidado pra fazer reflexão,
eu respondi: tô nessa!
Tô nesta, porque sou cristã, fui batizado;
tenho uma missão!
Fui convidado para evangelizar, 
eu respondi: tô nessa!
Fui convidado pra formar comunidade,
eu respondi: tô nessa!
Tô nesta, porque sou cristã, fui batizado;
tenho uma missão!


Aconteceu neste domingo (22), no Instituto Pastoral de Dourados (IPAD) o Encontro de Animadoras e Animadores de Pequenas Comunidades Cristãs das Foranias Leste e Oeste da município de Dourados.
O encontro iniciou com a apresentação dos participantes por paróquia, eram ao todos 75 pessoas, da Paróquia Imaculada Conceição (Catedral) estiveram presentes sete pessoas: três da Comunidade Matriz e quatro da Santo André (Lucilene, Zenaide, Irene e José Vieira) e com as boas vindas da Ir. Marlene anfitriã do encontro, após o momento de espiritualidade inicial, sob a luz do Evangelho de Marcos 1, 14-20, a Equipe de Diocesana da Pequenas Comunidades Cristãs, coordenada pela Irmã Maria de Lourdes, introduzia a proposta de trabalho para o dia.
A Maria Izabel abordou os primeiros temas: a Fisionomia, o rosto das Pequenas Comunidades Cristãs, tendo como fundamento a pessoa de Jesus Cristo; os Objetivos e as Propostas de Trabalhos com as Pequenas Comunidades Cristãs.
O Padre Otair falou sobre a Missão da Animadora e do Animador da Pequena Comunidade Cristã; sob a luz das Diretrizes Gerais Ação Evangelizadora do Brasil, Documento de Aparecida e das Orientações Pequenas Comunidades da Diocese de Dourados (2012), ressaltando de que a missão dos animadores(as) é de refletirem a pessoa de Jesus Cristo em todo seu trabalhos.
A Ceila fez a Fundamentação Bíblica das Pequenas Comunidades Cristãs, tendo como base os retratos das Primeiras Comunidades Cristãs, descrita por Lucas no livro dos Atos Apóstolos 2,42-47 e 4,32-37. Antes da conclusão dos trabalhos da manhã, o bispo diocesano, Dom Redovino, esteve presente para deixar uma mensagem de ânimo, coragem a todos, dizendo que as Pequenas Comunidades Cristãs é um desafio, uma missão, destacado como uma das prioridade para ser trabalhado por todos na diocese de Dourados, uma vez que foi aprovado na última Assembléia. Ser uma igreja viva, que atenda aos apelos e os anseios das pessoas, uma igreja viva e atuante, para que não tenhamos igrejas vazias, como já tem acontecido na Europa e agora já sentida na região sul do Brasil. As Pequenas Comunidades é uma das formas de aproximar a igreja das pessoas, daí sua importância para concretizar em todas as comunidades e paróquias. Uma pessoa presente fez um pedido a Dom Redovino, para que ele cobrasse um maior empenho e comprometimento por parte dos sacerdotes e conselhos de pastorais em relação a esta prioridade tão importante para a igreja. A assembléia aprovou a idéia, como sendo também de todos presentes.
Após o intervalo do almoço, Doralice fez os encaminhamentos para um trabalho de grupo, duas perguntas nortearam todo o trabalho da tarde: O que já está acontecendo de concreto em sua comunidade ou paróquia? Propostas concretas para as Foranias: Leste e Oeste e paróquias visando o avanço das Pequenas Comunidades Cristãs.
Os grupos foram assim divididos por paróquias:
1) Nossa Senhora Fátima e São Carlos
2) Rainha dos Apóstolos e São Jose Operário
3) Santa Teresinha e Bom Jesus
4) São Pedro, Nossa Senhora Aparecida e Sagrado Coração de Jesus
5) São João Batista e Catedral
Após os trabalhos em grupos, cada grupo expôs em plenário os resultados das duas perguntas. Muitas atividades estão sendo feitas, experiências bonitas. Ao final foi resumida em três pontos mais fortes a serem trabalhados daqui para frente: 
a) Articular um Encontro Paroquial com Lideranças Paroquiais sobre Pequenas Comunidades Cristãs; 
b) Formar uma Equipe Paroquial das Pequenas Comunidades; 
c) Efetivar a setorização da Paróquia.
"
Poucos operários, poucos trabalhadores. E a fome do povo aumenta mais e mais. 
És o Senhor da messe, ouve esta nossa prece, põe sangue novo nas veias da tua igreja.
Falta pão porque falta trigo, falta trigo porque não semeiam 
e faltam semeadores porque ninguém foi lá fora chamar.
 Falta fé porque não se ouve, não se ouve porque não se fala.  
E falta esse jeito novo de levar luz e de profetizar.